Nascida em 19 de fevereiro de 1986, a Alagoana da cidade de Dois Riachos, veio de uma família humilde e desde o começo precisou lutar não apenas contra as dificuldades financeiras, mas também contra o preconceito.

Desde pequena, Marta sempre gostou de jogar bola com seus três irmãos mais velhos nos terrenos de terra batida e nas ruas da pequena cidade em que nasceu. A jovem atleta começou a participar de campeonatos ainda na escola, mas o professor decidiu mudar as regras para que ela não pudesse mais participar, pois era boa demais e os meninos estavam sempre ameaçando Marta por ela driblar, fintar e mostrar seu talento, que sempre foi muito acima de média.

Início da Carreira de Marta

A jovem Marta sabia que seu futuro não pertencia a Dois Riachos, na pequena cidade ela não conseguiria viver da sua maior paixão e sentia que seu talento seria desperdiçado. A menina Marta já atuava pelas categorias de base do CSA de Dois Riachos, quando seu treinador conseguiu que ela participasse de duas peneiras em grandes times do Rio de Janeiro, a adolescente de 14 anos não pensou duas vezes juntou suas coisas e partiu rumo ao seu destino.

Os clubes eram o Vasco e o Fluminense, mas depois de seu primeiro dia na equipe Cruz Maltina a jovem atleta já foi contratada e nem chegou a disputar a vaga no Tricolor do Rio. Mas se até hoje o futebol feminino sofre com a falta de investimento, em 2000 esse problema era ainda maior. No Vasco Marta ganhava apenas uma ajuda de custo mínima para se manter e morava no alojamento com as outras atletas, mesmo com as dificuldades o clube ainda conquistou o Campeonato Brasileiro sub-19 2001.

Marta
Imagem: Reprodução

Quando a equipe feminina do Cruz Maltino fechou as portas, Marta se manteve no Rio com a ajuda de amigos, principalmente da supervisora de futebol do Vasco na época, Helena Pacheco que se esforçou para manter a jovem atleta jogando. Como a menina já estava atuando pela seleção sub-19, e até pela seleção adulta, chegou a ser emprestada para o São José do Rio Preto apenas para jogar o campeonato Paulista e depois para o Santa Cruz de Belo Horizonte onde conseguiu ficar por pouco mais de um ano.

Nessa altura da carreira, aos 17 anos, Marta já era uma atleta da seleção brasileira e disputou em 2003 os jogos Pan-Americanos conquistando junto com suas companheiras o primeiro ouro da seleção feminina. Ainda em 2003 as brasileiras disputaram a Copa do Mundo dos Estados Unidos, com duas vitórias e um empate na fase de grupos elas avançaram, mas perderam por 2X1 para a seleção Sueca e foram desclassificadas nas quartas de final.

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Mas esse jogo rendeu muito mais do que apenas a desclassificação, os suecos ficaram encantados com o talento da jovem Marta, que na Copa do Mundo marcou 3 gols e 4 jogos. E depois da competição, a atleta que tinha seu futuro incerto em clubes do futebol feminino no Brasil recebeu o convite do Umeå IK, clube sueco de futebol que era reconhecido no cenário europeu pela sua equipe feminina bem estruturada e competivia.

Títulos na Suécia

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Marta atuou pelo Umeå IK por 5 temporadas entre 2003 e 2008. Pelo clube a atleta rapidamente se tornou a estrela principal e conquistou vários títulos com a equipe:

Título Temporada
Liga dos Campeões da Uefa 2003/04
Campeonato Sueco 2005, 2006, 2007 e 2008
Copa da Suécia 2007
Super Copa da Suécia 2003/04

Estados Unidos – Santos

Depois de sua longa e vitoriosa passagem pelo futebol Sueco, Marta decidiu mudar de ares e dar um outro rumo para sua carreira como atleta profissional. A jogadora se transferiu para o Los Angeles Sol dos Estados Unidos no começo de 2009, nessa temporada ela foi não só a artilheira da competição como levou sua equipe ao vice-campeonato nacional.

Em agosto de 2009, depois do fim da temporada da Liga de futebol feminino dos Estados Unidos, a jogadora foi emprestada ao Santos por três meses, quando disputou e foi campeã com as sereias (apelido da equipe feminina do Santos) da Copa Libertadores feminina e da Copa do Brasil.

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A atleta retornou ao Los Angeles Sol no começo de 2010, mas nesse mesmo ano o clube encerrou suas atividades. Disponível no mercado, Marta foi contratada pelo FC Gold Pride onde foi artilheira da e campeã com o clube da Liga Nacional Americana. Ainda em 2010, mas já no fim do ano a atleta foi emprestada ao Santos com um contrato de dois meses.

No início de 2011 Marta foi anunciada pelo Western New York Flash, mais uma equipe americana que contrata a brasileira e chega ao título da liga americana.

De volta à Suécia

No começo da temporada 2012 a experiente atleta resolveu voltar ao futebol Sueco. Contratada pelo Tyresö FF por dois anos, Marta liderou a equipe até o título de campeão sueco em 2012 e ao vice-campeonato europeu na temporada 2013/14.

Em 2014 o Tyresö FF declarou falência e outro clube da Suécia, o FC Rosengard, não perdeu tempo para contratar a maior estrela do futebol sueco. Com o novo clube Marta conquistou duas vezes o título da Liga da Suécia, 2014 e 2015, além de um vice-campeonato em 2016.

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Orlando Pride

Em abril de 2017 o clube americano Orlando Pride anunciou Marta como seu novo reforço. No mesmo ano que chegou ao clube americano, a brasileira já levou a equipe aos play offs pela primeira na história do time. Em quatro anos de time Marta já é a atleta com mais gols (23) e assistências (10) em 54 jogos pelo time.

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Foi com a camisa do Orlando Pride que Marta conquistou seu sexto prêmio Fifa de melhor jogadora do mundo, em 2018. Antes disso ela já havia ganhado outros cinco títulos consecutivos entre 2006 e 2010

Seleção Brasileira de futebol

Depois de disputar e vencer o Pan-americano de 2003 com a seleção e de ser descoberta por um clube sueco durante a participação do Brasil na Copa do Mundo feminina também em 2003, Marta ainda disputou e venceu a Copa América com a seleção brasileira no mesmo ano.

Todas essas participações em grandes campeonatos com a amarelinha, aos poucos foi mostrando o talento e a força de vontade da menina de 17 anos que saiu do interior de Alagoas para jogar futebol no Rio de Janeiro.

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Com o tempo Marta garantiu sua vaga com a camisa 10 do Brasil e junto com outras grandes atletas, como as veteranas Cristiane e Formiga começou a fazer história na seleção. Essas e outras grandes atletas ainda conquistaram o bicampeonato no Pan Americano do Rio de Janeiro em 2007 e o tri no Pan do Canadá em 2015. Além de conquistar mais dois títulos da Copa América em 2010 e 2018 Marta ainda conquistou o vice-campeonato da Copa do Mundo feminina em 2007.

Pelos direitos das mulheres

Depois de todo o preconceito que passou na infância e as dificuldades no começo da carreira para conseguir viver do futebol, claro que Marta seria uma ativista a favor da igualdade de gêneros no futebol. Na Copa do mundo feminina da França em 2019, a atleta jogou com uma chuteira diferente das usadas por suas companheiras de profissão.

Marta jogou com uma chuteira preta e sem patrocínio, com um símbolo representando a equidade de gêneros no esporte. A chuteira faz parte da campanha Go Equal que ao longo do tempo ganhou milhares de adeptas e seguidores no Instagram com mulheres de todos os esportes, idades e até de diferentes profissões fazendo o gesto que representa essa igualdade.

Essa campanha começou em julho de 2018, até aí Marta era patrocinada pela Puma, mas com a aproximação do vencimento do contrato a marca ofereceu, segundo a própria jogadora, um valor bem abaixo do que costumava pagar à atleta e, por isso, ela recusou a renovação.

Em entrevista ao Globoesporte.com ela disse: “O que foi proposto foi bem abaixo do que eu recebia, bem menos, menos da metade. A gente achou por bem não renovar. Era muito abaixo do que a gente vê no futebol masculino. Resolvemos fazer isso então. Mais uma oportunidade de lutar pelos nossos direitos.” Assim começou a campanha #GoEqual.

Além disso, a jogadora também é embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, a brasileira faz um trabalho de defesa pública pela implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ao voluntariado. O objetivo de Marta é continuar trabalhando para inspirar mulheres e meninas a desafiar estereótipos, superar barreiras e seguir seus sonhos e ambições, inclusive na área do esporte.

Melhor jogadora do Mundo

Marta é a única atleta do futebol feminino nomeada pela Fifa seis vezes melhor do mundo. Cinco desses títulos vieram de forma consecutiva, entre 2006 e 2010. E a última conquista veio em 2018, além disso, entre 2011, 2012, 2013, 2014 e 2016  ela chegou a concorrer ao prêmio ficando entre as três melhores do mundo.

Conquistas da Marta com a seleção Brasileira

Competição Ano
Pan-americanos 2003 e 2007
Copa América 2003, 2010, 2018 e 2025
Jogos Olímpicos Prata em 2004 e 2008

Títulos de Marta por clubes

Por clubes, Marta conquistou vários títulos: uma Liga dos Campeões, uma Copa Libertadores, uma Copa do Brasil, duas ligas norte-americanas, cinco ligas suecas e uma Copa da Suécia.